Por que os médicos precisam de um sindicato?

Os sindicatos exercem papel relevante nas negociações trabalhistas nos países democráticos, garantindo o equilíbrio nas relações laborais, o direito dos trabalhadores e a sustentabilidade das empresas. Os trabalhadores foram ganhando ao longo da história a capacidade para negociar melhores condições de trabalho, direitos a férias, décimo terceiro, etc. Não há muito tempo, a greve era uma ilegalidade, passou a ser tolerada e hoje é um direito do trabalhador. Existe uma relação de interdependência entre empresas e empregados. O trabalhador não vive somente para trabalhar, mas trabalha para viver dignamente e ser feliz com sua família, desfrutando momentos de lazer e participação na comunidade.
Os médicos são uma classe profissional diferenciada. No entanto, aquela medicina liberal de antigamente não existe mais. Muita coisa mudou.
As relações com as operadoras de saúde tornaram-se complexas, pelo excesso de regulamentação, pelos custos crescentes da medicina em virtude de novas tecnologias e medicamentos e do aumento da judicialização da medicina. Há uma competição por preço e não por valor e geralmente o elo mais fraco é quem mais sofre.
O médico que atende o serviço público sofre com a precarização e com as más condições de trabalho. O volume de pacientes é crescente e os problemas de gestão impedem a realização de uma assistência hierarquizada e completa. Muitas vezes, a culpa é atribuída erroneamente, ou propositadamente, aos médicos. Os recursos são sempre escassos e, mais uma vez, quem arca com o ônus é o profissional da saúde.
Devido à falta de representatividade no interior do Estado para os assuntos referentes ao trabalho médico foi necessária a formação de um Sindicato dos Médicos em nossa região. Uma entidade associativa cuida de assuntos sociais e científicos; ao CRM cabe a fiscalização do exercício profissional e das condições físicas dos estabelecimentos de saúde. Porém, a defesa profissional do médico deve ser exercida por um Sindicato. Desta forma, por iniciativa de um grupo de médicos, entre estes, o Dr José Luiz de Oliveira Camargo, um arauto deste movimento, foi fundado o Sindicato dos Médicos do Norte do Paraná que culminou com a concessão da Carta Sindical pelo Ministério do Trabalho, que é uma espécie de Certidão de Nascimento da Entidade. Mas a luta por um Sindicato no Norte do Estado não foi nada fácil. Muitas batalhas judiciais foram necessárias e ainda estão sendo travadas.
O Sindmed tem amadurecido. Filiamo-nos à Federação Nacional dos Médicos – FENAM – e à Confederação Nacional dos Médicos – CNM – e nossa bandeira tem sido a valorização do trabalho médico. Negociamos, atualmente, a mudança da nomenclatura de promotor de saúde para médico na Prefeitura de Londrina e defendemos a criação de um Plano de Cargos Carreiras e Vencimentos (PCCV). Tutelamos o contrato do médico com as operadoras de saúde e dizemos não à exploração do trabalho médico através da Pejotização e consequente precarização das condições de trabalho.
O cenário que se vislumbra em relação à carreira no Brasil não é nada animador, mas a Medicina sempre foi e sempre será uma profissão de valor. Nestes tempos turbulentos em que vivemos, o fortalecimento dos órgãos de classe, como o Sindicato, é fundamental para preservar a grandeza deste ofício. Sejamos unidos, pois mais são os que estão conosco do que contra nós.
Alberto Toshio Oba
Presidente do Sindicato dos Médicos do Norte do Paraná
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