
O empobrecimento dos médicos é real. Só a luta coletiva pode nos salvar. Em muitos municípios um clínico geral recebe entre 7 e 12 mil reais por jornadas de 20 ou 40 horas, mas tem a falsa ilusão de que a profissão remunera bem porque assumem grande quantidade de plantões e podem ganhar acima de 20 mil reais. A média de um plantão de 12 horas gira em torno de 1.200 reais. Mas isso está mudando, a barreira de mil reais já foi quebrada para baixo, hoje se pagam plantões a 800 e até a 600 reais. Fora isso, há dificuldade crescente de se conseguir plantões. Estamos passando do subemprego para o desemprego. O aumento no número de formados, a terceirização sem direitos trabalhistas, o congelamento de tabelas do sus e planos de saúde e a forte pressão das chamadas reformas trabalhistas para enfraquecer as negociações coletivas e jogar os trabalhadores às feras, est as o empobrecendo os médicos. Eles já não conseguem formar patrimônio e pela falta de contratos trabalhistas e contratação como pessoa jurídica poderão ter fortes dificuldades para se manter quando se aposentarem. Só há uma forma de deter isso, apostar nas entidades sindicais e participar de suas lutas por concurso público, carreira médica, piso salarial, contratos legais, combate às terceirizações e pejotização, reajuste das tabelas de honorários no sus e planos de saúde. A profissão médica, que era o sonho de realização pessoal com bons ganhos financeiros está sob forte ataque. Mas ainda há tempo, profissões conseguem manter seus ganhos quando defendem seus interesses. E esta defesa é feita pelas instituições sindicais. Não há salvação fora delas.