20/04/2026
20/04/2026

A Federação Nacional dos Médicos (Fenam), entidade representativa dos médicos brasileiros, dirige-se à sociedade, aos gestores públicos, às instituições nacionais e internacionais e aos profissionais de saúde para afirmar uma verdade incontornável:
O trabalho médico vive uma crise estrutural global.
Essa crise manifesta-se de forma evidente em países com sistemas públicos consolidados, como Portugal e Espanha, e assume contornos ainda mais complexos em nações de grande dimensão e desigualdade, como o Brasil.
Uma crise global com raízes comuns
Na Europa, observa-se que mesmo sistemas robustos enfrentam:
Em Portugal, a crise traduz-se na incapacidade de fixar médicos no serviço público.
Na Espanha, evidencia-se no conflito em torno do reconhecimento da especificidade da profissão médica.
No Brasil, a crise se agrava por um elemento adicional:
A fragmentação do trabalho médico e a precarização dos vínculos.
A singularidade da crise brasileira
No Brasil, o médico enfrenta um cenário particularmente adverso:
Essa realidade compromete não apenas o exercício da medicina, mas a própria sustentabilidade do sistema de saúde.
Não há sistema de saúde forte sem trabalho médico digno.
O trabalho médico como pilar civilizatório
A Federação Nacional dos Médicos reafirma que o trabalho médico não pode ser tratado como mercadoria comum.
A medicina é uma atividade de natureza:
Sua precarização representa uma ameaça direta:
Contra a precarização e a desvalorização
A FENAM posiciona-se firmemente:
E afirma:
O médico não é um prestador descartável. É agente central do cuidado e da vida.
Propostas para reconstrução do trabalho médico
A Federação Nacional dos Médicos propõe:
1. Instituição de uma carreira médica de Estado
2. Definição de um piso salarial nacional
3. Regulação da jornada de trabalho
4. Combate à precarização
5. Valorização da atenção básica
6. Negociação permanente com planos de saúde
Um chamado internacional
A Federação Nacional dos Médicos propõe a construção de uma articulação internacional entre entidades médicas, especialmente no espaço ibero-americano, para:
Formular propostas comuns diante dos desafios globais
Conclusão: a defesa da medicina é a defesa da sociedade
A crise do trabalho médico não é corporativa — é social.
Sem médicos valorizados, não há sistema de saúde sustentável.
Sem trabalho digno, não há medicina de qualidade.
A Federação Nacional dos Médicos conclama:
Médicos do Brasil, uni-vos!
FENAM – Federação Nacional dos Médicos
Brasil, 2026